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E SE HOUVESSE UMA EPIDEMIA DE VOTOS EM BRANCO?
Bernardo Cruz |Lourenço Oliveira | Gonçalo C. Lopes

Depois de se celebrarem 50 anos de democracia em Portugal, esta frase de Saramago - mote ao Ensaio sobre a lucidez - é potenciada pelo crescente descrédito no sistema político vigente e pelo surgimento de opções antidemocráticas em muitas democracias que se imaginavam consolidadas. Na posição de criadores e músicos, como devemos responder a estes problemas? Para quem queremos dirigir a nossa música? O que queremos comunicar? Uma crítica à atual situação ou um incentivo à reflexão e compreensão dos problemas? Estas foram as perguntas que nos levaram às escolhas artísticas que em seguida descreveremos. Esta proposta multidisciplinar serve-se da arte enquanto objeto indivisível, contendo elementos de música, performance, declamação não dispensando de uma forte componente visual e teatral.

Concerto completo ao vivo na CIGARRA (Lisboa)
c/ obras de C. Cardew, C. Wolff, J. Cage, G. Lopes e Nic Collins

“The Bell Bronzes” - Harmen Brethouwer


Numa colaboração com a Royal Eijsbouts, uma das mais conceituadas fábricas de sinos do mundo (colaborações musicais com Concertgebouw Amsterdam/Orquestra Sinfonica Simon Bolivar), o escultor neerlandês Harmen Brethouwer dedicou-se à busca de uma escultura musical. Através da forma de uma gota, uma das suas duas formas base para construção artística, esta colaboração levou à criação de um novo instrumento, os “Bell Bronzes”. A partir deste novo meio de produção sonora, experimentações, improvisações e colaborações que levaram à criação de obras musicais para estas esculturas musicais surgiram com um papel relevante do percussionista Bernardo Cruz enquanto explorador das esculturas musicais durante este processo de invenção e aperfeiçoamento do instrumento. Esta colaboração levou Bernardo Cruz a várias apresentações musicais (Museum Kranenburgh/ArtCologne) e inclusivamente à estreia de uma obra do compositor Richard Rijnvos para Soprano e dois intérpretes de Bronze Bells.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                 

                             

                            Gravação acessível através do link: https://www.artforever.nl/videos/bell-bronzes-1-for-soprano-4-bell-bronzes/

 

CLAMAT - Coléctivo Variável

 

Agregando alguns dos mais talentosos jovens percussionistas portugueses, o Clamat – colectivo variável, dirigido por Nuno Aroso, dedica-se à nova música para percussão. Entende o concerto como um acto poético, único e irrepetível. Para além do fomento da criação musical dedicada ao grupo, é parte da linha identitária deste projecto a colaboração artística transdisciplinar. O projeto mais recente consta do álbum monográfico dedicado às obras para percussão de um dos mais destacados e prolíficos compositores portugueses do tempo presente, João Pedro Oliveira.



 

 

 

 

 

Criticas recentes ao album City Walk:

“City Walk” segundo Paco Yañez (Scherzo ES) / “City Walk” segundo Joan Gómez Alemany (Ritmo ES) / 

“On the Threshold of Unity”, John Dante Previdini (Classical Music Daily)

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PT

Esta dupla é um espaço de criação que se situa entre influências concretas e comuns de ambos os artistas, provenientes de diferentes campos artísticos: música improvisada e experimental, ruído, o cinema de David Lynch, a música electrónica de compositores como Iannis Xenakis e Karlheinz Stockhausen ou a música de bandas como Radiohead e Supersilent.


A música ouvida oscila entre momentos totalmente improvisados e estruturas pré-definidas e compostas, com texturas, categorias de sons, samples e diferentes objectos quotidianos manipulados electronicamente, sempre de forma suficientemente aberta à imprevisibilidade e aleatoriedade que resultam de qualquer prática performativa.

ENG

This duo is stillisticly sittuated betwen several different influences that are commom to the two musicians, such as: Improvised and experimental music, noise, the cinema of David Lynch and the electronic music of composers such as Xenakis, Stockhausen or the music of Radiohead or Supersilent.

The result is a music that goes from totally improvised moments to predefined structures with textures, samples, day to day objects that are reused as musical material and electronic manipulation. The result is always presented in a way that is vulnerable to the aleatority of any improvised musical practice proving the unique nature of this music.

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Gonçalo Cravinho Lopes e Bernardo Cruz

PROCESSOS DE INCONVENCIONALIDADE

Na performance com o titulo de "Processos de Inconvencionalidade", o Duo pretende perceber os limites da música escrita, e como esta se relaciona com a música improvisada, a música eletrónica e a notação gráfica. Pretendemos levantar questões como: Qual a função da partitura na música contemporânea e até que ponto é necessária? Qual o futuro da música escrita?
Qual a barreira entre notação e improvisação?

O espetáculo consta da performance de peças de compositores como John Cage, Christian Wolff ou Max E. Keller, bem como criações próprias, obras encomendadas pelo duo, peças semi-improvisadas, peças em notação gráfica e improvisações nos instrumentos assim como em eletrónica com a exploração de samples e sintetizadores.

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